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Joy Division e Legião Urbana ganham biografias aos olhos de seus músicos

Peter Hook e Dado Villa-Lobos narram bastidores de dois grupos que marcaram gerações no Brasil e no mundo Mariana Peixoto - EM Cultura Publicação:30/05/2015 14:00Atualização:30/05/2015 15:39


 
 
Dado Villa Lobos, Marcelo Bonfá, Renato Russo e Renato Rocha, a Legião Urbana, em fotografia de 1984 (Licia Nara / Divulgação)
Dado Villa Lobos, Marcelo Bonfá, Renato Russo e Renato Rocha, a Legião Urbana, em fotografia de 1984

 

SOU A GOTA D’ÁGUA


Dado não turbina amizade na Legião, mas reverencia Renato Russo

A diferença crucial entre uma biografia e uma autobiografia é o olhar. Ao contar a própria história, o autor dá sua versão sobre algo que ocorreu com ele, sem ficar sujeito à interpretação de alguém que pesquisou sobre determinado fato, mas não o vivenciou. De maneira geral, autobiografias ainda têm uma proximidade maior com o leitor, muitas vezes em tom de conversa.

O maior problema de Memórias de um legionário é que Dado Villa-Lobos escreve na primeira pessoa como se estivesse na terceira. Ao manter uma distância considerável de sua própria narrativa, o guitarrista não avança na trajetória da Legião Urbana.

O guitarrista não entrou na empreitada sozinho. O livro foi escrito a seis mãos, com os pesquisadores Felipe Demier (que estimulou o músico a produzir a biografia) e Romulo Mattos (que se responsabilizou pela pesquisa histórica).

Devido à sua importância e ao crescimento do mito desde a morte de Renato Russo, a Legião é uma das bandas do Rock Brasil que mais têm relatos biográficos. Dado reúne citações de todos os livros para contar muitos dos fatos que ocorreram com sua banda.

Um bom exemplo vem de um dos primeiros shows em que tocou, em abril de 1983, na chamada Temporada de Rock Brasiliense, quando se apresentaram as principais bandas da cidade. Apresenta o olhar de três biógrafos, até chegar ao seu próprio relato, que não acrescenta nada ao que já foi escrito. Essa situação se repete ao longo do livro.

A despeito de não trazer nenhuma grande revelação, Memórias de um legionário traz alguns pontos positivos. Dado esmiúça as gravações de todos os álbuns da banda, fazendo um relato completo do dia a dia no estúdio. A cada novo disco lançado, ainda faz um panorama crítico, repassando a recepção que a imprensa reservou a cada trabalho.

O olhar de protagonista aparece raras vezes, quando fala do relacionamento entre os colegas de banda. A Renato, logicamente, é dedicado o maior espaço. São vários os conflitos, desde o primeiro disco, quando Dado lê no diário do vocalista, em inglês, “I hate those guitars” (Eu odeio aquelas guitarras); ou quando ele dá um piti com Fernanda, mulher de Dado e então empresária da banda, porque ela não havia comprado o leite que ele queria.

Afirmando que o trio central da Legião – Dado, Renato e Marcelo Bonfá – nunca foi realmente um trio de amigos, mas de companheiros de banda, o autor adota na parte final um tom mais carinhoso, principalmente quando a Aids começa a minar Renato. Dá todos os créditos ao líder da Legião – “um personagem muito especial, daquele tipo que, talvez, surja apenas um por geração” –, mas não vai além do que outros, que não tiveram a convivência que ele teve, já fizeram.

Trecho

“‘Cuidado, não toca aí não, tem meu sangue aí.’ Ele havia se cortado e tinha um borrinho de sangue coagulado. ‘Renato, você é um escroto mesmo, e o vírus desse sangue aí já morreu’, eu reclamei. Mas, a partir daí, conversamos mais seriamente. Papo vem, papo vai, de algum modo falamos um para o outro: ‘Bom, a sua condição é essa, né?’. Afinal, eu também tinha uma condição instável, quando se trata de saúde física. Não tinha a mesma gravidade, certamente... ‘Somos os dois ‘éticos’ da banda, você diabético e eu aidético, hahaha!’, completou ele. E assim terminou nossa conversa naquela clínica. E foi o que então nós todos decidimos: manter esse cara ativo, trabalhando.”

DADO VILLA-LOBOS – MEMÓRIAS DE UM LEGIONÁRIO
De Dado Villa-Lobos, Felipe Demier e Romulo Mattos. Editora Mauad X, 256 páginas, R$ 49,90


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