Vidas Raras de Mulheres Comuns - Percursos de Vida, Significações do Crime e Construção da Identidade em Jovens Reclusas

Vidas Raras de Mulheres Comuns -  Percursos de Vida, Significações do Crime e Construção da Identidade em Jovens Reclusas

Vidas Raras de Mulheres Comuns - Percursos de Vida, Significações do Crime e Construção da Identidade em Jovens Reclusas

  • EditoraALMEDINA
  • Modelo: AM24033921
  • Disponibilidade: Em estoque
  • R$ 161,10

    R$ 179,00
Prefácio O que é um prefácio? No sentido descritivo, costuma ser uma apresentação da obra e do autor, enunciando os seus méritos e permitindo ao leitor entrever o percurso que o livro lhe apresenta. Nos melhores casos, o prefácio permite ao leitor situar o texto que se segue no seu espaço literário ou científico, filiá-lo em determinada tradição, ou destacar as suas contribuições originais. Mas, porque feito "a pedido" e sobre quem não nos é indiferente, mais do que propriamente uma análise crítica do texto, o prefácio é também um espaço afectivo, onde não há lugar para a neutralidade. Prefaciar alguém é, sem dúvida, recomendá-la e, nesse sentido, quem prefacia toma um pouco como sua a coisa que anuncia. Como consequência dos pressupostos anteriores, o prefácio é também um acto de legitimação do texto: anunciando-lhe as qualidades e recomendando-o, o prefaciador assume-se como alguém com legitimidade para o fazer. E, buscando-se no prefaciador a "chancela de qualidade" da obra, o prefaciador afinal... chancela-se a si mesmo! Ora, assumindo eu sem dificuldades a minha relação intelectual e emotiva com o trabalho da Doutora Raquel Matos, que tive o privilégio de orientar no seu doutoramento, nem me sinto confortável neste papel hierárquico, nem ele faz sentido no contexto específico deste trabalho. Porque o mesmo traduz um percurso investigativo pelos caminhos da criminalidade feminina que não havia ainda sido traçado no quadro da Psicologia da Justiça em Portugal (ainda que outras contribuições relevantes sobre o tema existissem já no campo da Antropologia e do Direito), porque o trabalho aqui apresentado releva, essencialmente, da autonomia e espírito crítico da autora, porque os próprios princípios epistemológicos nele incorporados recusam tal noção de autoridade hierárquica. Apresento, pois, o trabalho da Doutora Raquel Matos, não como especialista que avaliza a sua qualidade, mas essencialmente como leitora e interlocutora seduzida e desafiada pelas suas propostas, pelos seus resultados e pelas questões que nos levanta. E é esse o convite que endereço ao leitor: que se deixe interrogar e incomodar pelo que vai ler de seguida. Porque, tal como este prefácio, o trabalho que aqui se apresenta, sendo rigoroso, não é também um objecto neutro, mais próprio do campo das ciências ditas hard do que do território móvel e ambíguo das relações humanas, do poder, do género, da transgressão e da violência. Este é um percurso, simultaneamente teórico e empírico, pela criminalidade juvenil feminina, que recusa olhares estereotipados sobre a mulher criminosa como "vítima" ou como "perversa", procurando percebê-la e ao sentido que dá aos seus actos, na variedade de razões, motivos e trajectos que escapam a tais leituras lineares. Reconhecendo a sua variedade e, evitando a tentação "psi" da catalogação, dos tipos e dos perfis, explorando a multiplicidade das relações com o crime e dos papéis que este cumpre nas vidas destas jovens mulheres. Admitindo que o crime é, também para algumas mulheres (como a criminologia já vai reconhecendo ser para alguns homens), gozo, adrenalina, excitação. Mas também escape a relações abusivas ou, pelo contrário, mais uma expressão da dominação de género. Ou, simplesmente, sobrevivência, negócio, ou estilo de vida. Ao explorar esta diversidade, este trabalho desafia, como disse, a tradição da psicologia positivista de encaixar as mulheres, especialmente as que desafiam os papéis sociais prescritos, em padrões estanques e de as rotular. Mas desafia também a tentação de alguns feminismos: a convocação de um imaginário de vitimização como denominador comum da condição feminina. As jovens mulheres que nos são aqui apresentadas decidem, fazem escolhas, arrependem-se e decidem de novo. Por vezes, é certo, no contexto de relações violentas e abusivas. Frequentemente no quadro de condições de vida adversas. Sempre, movendo-se em circunstâncias que não foram por si livremente escolhidas. Mas, no entanto, como diria Galileu, movendo-se... Este relato emancipatório e simultaneamente compreensivo não nos oferece uma leitura simplista da criminalidade feminina, nem argumentos ideológicos "prontos a usar", quer sejam de desculpabilização, quer de demonização destas mulheres. Representa-as - contra a tradição dominante da psicologia e da criminologia - como "iguais a nós", "Vidas raras de mulheres comuns". Esse constitui, entre muitos outros que deixo ao leitor o privilégio de descobrir, o seu mérito maior. CARLA MACHADO Braga, Universidade do Minho Dezembro de 2007 Parte I Dar sentido à criminalidade feminina: Significações externas Parte II dar sentido à criminalidade feminina: Significações vividas
Características
Ano de publicação 2016
Autor Raquel Matos
Biografia Prefácio O que é um prefácio? No sentido descritivo, costuma ser uma apresentação da obra e do autor, enunciando os seus méritos e permitindo ao leitor entrever o percurso que o livro lhe apresenta. Nos melhores casos, o prefácio permite ao leitor situar o texto que se segue no seu espaço literário ou científico, filiá-lo em determinada tradição, ou destacar as suas contribuições originais. Mas, porque feito "a pedido" e sobre quem não nos é indiferente, mais do que propriamente uma análise crítica do texto, o prefácio é também um espaço afectivo, onde não há lugar para a neutralidade. Prefaciar alguém é, sem dúvida, recomendá-la e, nesse sentido, quem prefacia toma um pouco como sua a coisa que anuncia. Como consequência dos pressupostos anteriores, o prefácio é também um acto de legitimação do texto: anunciando-lhe as qualidades e recomendando-o, o prefaciador assume-se como alguém com legitimidade para o fazer. E, buscando-se no prefaciador a "chancela de qualidade" da obra, o prefaciador afinal... chancela-se a si mesmo! Ora, assumindo eu sem dificuldades a minha relação intelectual e emotiva com o trabalho da Doutora Raquel Matos, que tive o privilégio de orientar no seu doutoramento, nem me sinto confortável neste papel hierárquico, nem ele faz sentido no contexto específico deste trabalho. Porque o mesmo traduz um percurso investigativo pelos caminhos da criminalidade feminina que não havia ainda sido traçado no quadro da Psicologia da Justiça em Portugal (ainda que outras contribuições relevantes sobre o tema existissem já no campo da Antropologia e do Direito), porque o trabalho aqui apresentado releva, essencialmente, da autonomia e espírito crítico da autora, porque os próprios princípios epistemológicos nele incorporados recusam tal noção de autoridade hierárquica. Apresento, pois, o trabalho da Doutora Raquel Matos, não como especialista que avaliza a sua qualidade, mas essencialmente como leitora e interlocutora seduzida e desafiada pelas suas propostas, pelos seus resultados e pelas questões que nos levanta. E é esse o convite que endereço ao leitor: que se deixe interrogar e incomodar pelo que vai ler de seguida. Porque, tal como este prefácio, o trabalho que aqui se apresenta, sendo rigoroso, não é também um objecto neutro, mais próprio do campo das ciências ditas hard do que do território móvel e ambíguo das relações humanas, do poder, do género, da transgressão e da violência. Este é um percurso, simultaneamente teórico e empírico, pela criminalidade juvenil feminina, que recusa olhares estereotipados sobre a mulher criminosa como "vítima" ou como "perversa", procurando percebê-la e ao sentido que dá aos seus actos, na variedade de razões, motivos e trajectos que escapam a tais leituras lineares. Reconhecendo a sua variedade e, evitando a tentação "psi" da catalogação, dos tipos e dos perfis, explorando a multiplicidade das relações com o crime e dos papéis que este cumpre nas vidas destas jovens mulheres. Admitindo que o crime é, também para algumas mulheres (como a criminologia já vai reconhecendo ser para alguns homens), gozo, adrenalina, excitação. Mas também escape a relações abusivas ou, pelo contrário, mais uma expressão da dominação de género. Ou, simplesmente, sobrevivência, negócio, ou estilo de vida. Ao explorar esta diversidade, este trabalho desafia, como disse, a tradição da psicologia positivista de encaixar as mulheres, especialmente as que desafiam os papéis sociais prescritos, em padrões estanques e de as rotular. Mas desafia também a tentação de alguns feminismos: a convocação de um imaginário de vitimização como denominador comum da condição feminina. As jovens mulheres que nos são aqui apresentadas decidem, fazem escolhas, arrependem-se e decidem de novo. Por vezes, é certo, no contexto de relações violentas e abusivas. Frequentemente no quadro de condições de vida adversas. Sempre, movendo-se em circunstâncias que não foram por si livremente escolhidas. Mas, no entanto, como diria Galileu, movendo-se... Este relato emancipatório e simultaneamente compreensivo não nos oferece uma leitura simplista da criminalidade feminina, nem argumentos ideológicos "prontos a usar", quer sejam de desculpabilização, quer de demonização destas mulheres. Representa-as - contra a tradição dominante da psicologia e da criminologia - como "iguais a nós", "Vidas raras de mulheres comuns". Esse constitui, entre muitos outros que deixo ao leitor o privilégio de descobrir, o seu mérito maior. CARLA MACHADO Braga, Universidade do Minho Dezembro de 2007 Parte I Dar sentido à criminalidade feminina: Significações externas Parte II dar sentido à criminalidade feminina: Significações vividas
Edição 1
Editora ALMEDINA
ISBN 9789724033921
Páginas 368

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